A economia sueca também sofre… (?)

Postado em Internacional com categorias, , , às Julho 9, 2008 por aspinola

Para os que lêem o que se tem dito sobre economia no Brasil, uma notícia interessante:

 

O Riksbanken, o Banco Central sueco, acaba de aumentar a taxa básica de juros em 0.25 ponto percentual por causa da INFLAÇÃO.

 

O dragão sueco atingiu o maior índice dos últimos 15 anos e chega próximo do teto da meta, 3%, em 2008.

A razão, segundo o BC sueco, é a alta das commodities, alimento e petróleo.

Alguns começam a dizer que a Suécia não tomou as medidas necessárias para se proteger da crise americana. No entanto, os outros números da economia mostram que o consumo continua aquecido e a Suécia deve ser, entre os chamados países desenvolvidos, um dos que mais crescerão em 2008.

Alguma coincidência com o Brasil? 

 

Abraços,

André

Irlanda diz não à UE.

Postado em Internacional com categorias, , , , , , , , , às Junho 14, 2008 por aspinola

“Incrível!” “Absolutamente inacreditável!” “Líderes europeus buscam novo caminho.” “Referendo Irlandês joga areia nas engrenagens européias”

Este são algumas manchetes que os jornais europeus estampam hoje, sábado, refletindo sobre a contundente derrota imposta à União Européia (UE) pelos cidadãos irlandeses. O “Não”, referente à aprovação do chamado “Tratado de Lisboa”, ganhou por 53.4% a 46.6% e agora a UE reflete as consequências da decisão irlandesa. 

O imbróglio todo é que, para ser ratificado, o “Tratato de Lisboa” deve ser aprovado por todos os 27 países membros. A Irlanda é o único país que colocou o acordo a voto popular, já que para adoção do novo termo, a constituição do país deverá ser alterada. 

O chamado “Tratado de Lisboa”, foi aprovado pelos líderes de todos os 27 países membros em substituição à “Constituição Européia”, que fora rejeitada pelo voto popular na França e Holanda, no ano passado. Agora, foi a vez da Irlanda reprovar a nova versão do acordo. Detalhe: desta feita, França e Holanda não irão submeter o “Acordo de Lisboa” a voto popular. 

Mas o que é, de fato, o “Tratato de Lisboa”. Você pode clicar aqui para ir ao website (em português) que explica “tim-tim por tim-tim” do que se trata. 

Em suma, o que mais me surpreende  em relação ao referendo, não é o resultado em si, já esperado por muito especialistas. O que me impressiona é que o país que mais se beneficiou em ser membro, rejeita desta maneira um acordo que, a meu ver, iria dar mais força e sustentabilidade à União. A Irlanda, até 2004, recebia cerca de 1.5bilhão de Euros. O país, antes essencialmente agrário, se transformou em uma potência européia, crescendo o dobro de seus pares, na UE. Em 2006, o país cresceu 6%, em 2007, 5,4% e a previsão de 2008 é de 4,6%. O resto da UE não cresceu, para se ter uma idéia, mais do que 2.6%, no mesmo período. Hoje, a Irlanda é sede de grandes empresas, tanto européias como americanas, atraídas à ilha pelos incentivos fiscais e mão de obra barata.

O tratado se justifica pois é uma tentativa de reestruturar a UE, após o ingresso de 12 países do leste europeu. Afinal, o tratado em vigor foi produzido em um conjuntura internacional bem diferente da atual. À época, com 12 membros, a UE parecia-se mais com um sonho de líderes regionalistas. Hoje, a chamada “Zona do Euro” têm um PIB de 12,172,536 milhões de euros. O acordo iria dar mais autonomia ao parlamento europeu, dando em contra-partida mais voz aos parlamentos dos países membros, fortalecendo o posto de “Ministro de Relações Exteriores”.

 Agora, resta aos líderes europeus encontrarem uma saída que dê sobrevida ao tratado. Já se discute se o acordo deve ser levado a votação, de novo, na Irlanda. Ainda não se sabe as consequências do resultado irlandês, mas já é certo que vem confusão e dor de cabeça por aí.

Um abraço.

André

A enciclopédia…

Postado em Crônicas com categorias, , , às Maio 19, 2008 por aspinola

A alegria de um coroa

Armando Nogueira

Acordou bem cedinho. Estava louco para rever a sua cidade. Abriu a janela do apartamento e deu de cara com uma colossal manhã de sol, dessas que só mesmo o Rio de Janeiro é capaz de aprontar em pleno inverno. Pois a história que agora te conto, leitor, passou-se no recente mês de agosto.
Para não perder tempo, que as férias eram brevíssimas, o nosso amigo tomou uma xicrinha de café preto, enfiou no bolso uma pera, pra mais tarde, e saiu pelo Aterro do Flamengo, feliz da vida, de bermudas e tênis “Conga”.
Caminhava e distribuía seu contentamento entre as árvores do Aterro, boas amigas que ele já não via há dez anos, quando deixou o Rio para ir cuidar de uma fazendola no interior de Minas.
Pelas tantas, quis tomar sol. Despiu a camisa de malha, deitou na arquibancada do campinho de futebol de salão e assim ficou um tempão, entregue ao regozijo de merecido repouso. Tamanho era o sossego que até chegou a tirar uma soneca.
- Ei, moço! bom-dia!
Era a voz de um dos três garotos que chegavam com uma indisfarçável secura de bola.
- Quer fazer um racha com a gente? A gente joga dois-contra-dois. 
Deitado estava e deitado respondeu, no embalo:
- Vamos lá, pelada é comigo mesmo!
Resoluto, levantou-se, sacudiu as pernas e foi logo entrando no campo. Um campo de barro. O dono da bola, um menino de seus quinze anos, fez a apresentação da turma:
- Eu sou o Marcio, esse aí é o Dico e aquele é o Leo.
Nem esperou que o coroa se identificasse. Queria mais era começar logo o racha.
- Olha aqui, vai ser eu e o Dico contra o senhor e o Leo.
Pela rapidez da escalação, o coroa sentiu que devia estar entrando numa fria: o bom de bola, ali, devia ser o Dico. Discretamente, deu uma olhada e viu que o Leo não tinha a menor pinta. De qualquer modo, chamou de lado o Leo e propôs uma chave: o Leo lá na frente, ele mais atrás. Antes, porém, um teste sem aparentar outra intenção a não ser aquecer o corpo: na verdade, queria mesmo era saber se o Leo era de bola, ou não. Tocou a bola na direção do Leo para ver que bicho dava. A bola beliscou a canela do Leo. O coroa chegou a pensar em desistir. Um sujeito de 61 anos, meio barrigudo, cheio de cabelos brancos:
- Meu Deus, o que é que estou fazendo aqui no meio desses meninos; uns meninões de quinze anos?
O diabo é que ele já tinha aceito o desafio. Não ficava bem correr da raia. Afinal de contas, não era a primeira, nem seria a última vez que a vida metia o nosso coroa em batalhas decisivas.
No meio do campo, o dono da bola vai cantando as regras do jogo: a partida é de cinco. Quem fizer cinco primeiro, ganha. Não vale gol direto. Não pode pegar a bola com a mão, só se já começar no gol de saída.
E como ninguém sequer pensou em jogar no gol, a partida começa com os quatro na linha. No centro do campo de terra batida, a bola de futebol de salão, por sinal que um tanto surrada.
A saída, lógico, é do Marcio. Marcio pro Dico, Dico pro Marcio, que tenta um drible. O coroa, vigilante, rouba a bola e contra-ataca. Procura o Leo. O Leo ficou lá atrás, paradão, sem saber pra que lado ir. O coroa então chuta do meio do campo. Gol!
- Não vale - grita o Marcio - eu avisei ao senhor que não vale gol direto. O senhor tem que passar a bola pro Leo! Ou o Leo pro senhor!
Gol anulado, começa tudo de novo. Saída com o Marcio. O coroa pede tempo. Cochicha uma tática no ouvido do Leo.
Bola em jogo. O Leo dispara e vai ficar plantado bem juntinho da baliza, como pediu o coroa.
Em dez minutos, o time do coroa já está ganhando de três a zero, três gols do Leo. O esquema funciona bem, mas o jogo é incessante, lá e cá. Agora mesmo, o Dico acaba de fazer o dele: três a um. E o Marcio delira com a reação.
Nova saída. O coroa arranca pelo meio dos dois, parece um foguete; vai em frente e entrega, mais uma vez, embaixo dos paus para o Leo fazer o quarto gol.
A essa altura, o coroa já passeia pelo campo, absoluto. Por sua vez, o time adversário já esta literalmente descadeirado. 
- Vai, pereba - berra o Marcio, colérico, para o Dico - Vai nele! Você não disse que o coroa não é de nada? Toma a bola dele, palhaço!
A dissensão nas hostes inimigas é profunda. O Marcio e o Dico vão acabar saindo na porrada. Pelo menos é o que pressente o coroa, achando, por isso, que o melhor é liquidar logo essa conta.
Vamos, então, mais que depressa ao quinto e derradeiro gol dessa inesquecível partida. Porque inesquecível, leitor, já, já saberemos.
O Marcio faz um passe longo para o Dico. O demônio do coroa, como sempre, adivinha a jogada, corta o centro com o peito em pleno ar e, antes que a bola caia no chão, amortece na coxa direita. Da coxa, a bola escorre para o peito do pé e pronto: uma, duas, três… o homem começa uma sucessão de embaixadas; faz nove em plena corrida. Na décima, depõe a bola na linha do gol, bem em cima da linha:
- Taí, Leo, faz o quinto e acaba logo o jogo.
- O Marcio, uma fera, vai apanhar a bola e nem volta para dizer até logo. O Dico sai de fininho, mal dá um tchau. O Leo, não, o Leo dá um abraço legal no companheiro de time.
O coroa senta de novo na arquibancada, tira do bolso a pera, dá uma mordida triunfal e fica ruminando, em silêncio, o bendito fruto de uma bela vitória.
Os três meninos foram embora sem saber que deram uma certa alegria ao coroa Nilton Santos, também chamado “A Enciclopédia do Futebol

Bom fim de semana!

Postado em Musica com categorias, , , , às Maio 17, 2008 por aspinola

Deixo um ’sonzim’ brasileiro, para os que gostam…

“Pergunte pro seu orixá

o amor só é bom se doer”
V.M

 

Abraços,

André

 

 

 

Etanol e as Petrolíferas

Postado em Crítica, política com categorias, , , , , às Maio 16, 2008 por aspinola

Hoje, o Presidente Lula, ao chegar a Lima, no Peru, onde vai participar de uma conferência de líderes da AL, fez o alerta que por trás desta campanha contra o etanol estão as grandes usinas petrolíferas.

Isto é verdade. De acordo com um documentário sobre as condições de trabalho em nossos canaviais exibido na TV4, principal televisão sueca, estes grandes grupos desembolsam o equivalente a USD250 milhões em propaganda contra o etanol.

Lula colocou álcool na ferida. Resta saber se a opinião pública ouve o recado.

Um abraço,

André

O Sumido…

Postado em Curiosidades, Uncategorized às Maio 14, 2008 por aspinola

Peço desculpas a meus (poucos) fiéis leitores pela ausência de mais de mês. Como alguns sabem, comecei um novo projeto em terras escandinavas que tem me tomado bastante tempo.

 

Como ainda é um projeto, não posso revelá-lo integralmente. Porém, se der tudo certo, em breve estarei contando a todos do que se trata e o por quê de tanto segredo.

 

Saudades do Brasil e de todos!

 

André

Oportunidade perdida

Postado em Crônicas com categorias, , , , , , , às Abril 7, 2008 por aspinola

Artigo publicado pelo Blog do Noblat. Interessante argumentação. Especialmente vindo de quem é.

 

 

Preparei este artigo antes de viajar para os Estados Unidos, onde participo, hoje, de uma série de discussões na Universidade de Brown, em comemoração dos 40 anos da primeira edição do livro que fiz com Enzo Faletto sobre Dependência e Desenvolvimento na América Latina. É a minha despedida de Brown, depois de haver sido professor at large (título que requereu curta permanência docente anual) durante cinco anos.

Confesso que não gosto de escrever com tanta antecipação. A natural falta de interesse do leitor de jornal por notícias e mesmo por análises não atualizadas requer temas momentâneos. Temas que, ultimamente, têm sido francamente desanimadores para quem acredita que a política não se limita a uma luta mesquinha pela conquista e preservação do poder. Causa-me repulsa a falta de compromisso com a verdade dos fatos, a desonestidade intelectual e, principalmente, o tratamento cínico dispensado a indícios graves de improbidade na administração pública e a benevolência com que são tratados infratores amigos ou aliados. Como ainda agora no episódio dos cartões corporativos. A insensibilidade do presidente e de seu governo é tanta que pouco se lhes dá a opinião pública. Com a popularidade inflada pelos bons ventos da economia, joga-se irresponsavelmente com a idéia de que a preocupação com a moralidade pública e o respeito à lei é coisa de elite branca que tem tempo para ler jornal.

Quanta diferença com o que se vê hoje nos Estados Unidos. Quem não leu deve ler a íntegra do discurso de Barak Obama A more perfect Union. Nele Obama reconecta a luta política aos melhores valores de uma República que foi fundada com bases em ideais, entre eles o da igualdade. Um ideal sempre imperfeitamente realizado, mas que constitui até hoje o móvel das melhores e mais nobres lutas políticas do povo americano. Obama não se apropria do ideal para utilizá-lo como arma eleitoral e dividir o país. Mostra, assim, a grandeza de sua liderança.

Reproduzo um trecho representativo do sentido de seu discurso. Nele reconhece e critica a agressividade do pastor Jeremiah Wright nos sermões sobre raça proferidos na Igreja da Trindade. Repudia, por outro lado, a crítica que apenas sataniza o pastor e explica: “O erro profundo dos sermões do reverendo Wright não é que ele tenha falado sobre raça em nossa sociedade. É que falou como se nossa sociedade fosse estática, como se nenhum progresso houvesse existido, como se ela ainda estivesse ligada irreversivelmente a um passado trágico. Isso numa nação que tornou possível para um dos membros da congregação disputar o cargo mais elevado de sua terra e de construir uma coalizão entre brancos e negros, latinos e asiáticos, ricos e pobres, jovens e velhos. Mas o que nós sabemos, o que nós vimos, é que a América pode mudar. Este é o verdadeiro espírito desta nação. O que nós já conseguimos nos dá esperança - a audácia da esperança - para fazer o que nós precisamos e devemos fazer amanhã.”

Que diferença! Seria demais esperar que Lula, que também é símbolo de uma sociedade dinâmica em que as forças da mobilidade social contam mais do que a origem, percebesse que o País, para avançar, precisa realizar o muito imperfeitamente realizado ideal da igualdade perante a lei e que a moralidade pública é condição da igualdade republicana, e não preocupação de privilegiados? Não é isso que se deveria esperar do chefe da Nação? O que se vê, porém, é um presidente que não hesita em reviver a velha cantilena dos “dois Brasis”, da elite branca e dos oprimidos, dos maus e dos bons, e não raro justificar as práticas políticas mais atrasadas. Isso num país que o colocou no topo da vida pública e que se caracteriza por ter uma elite composta pelos “brancos da terra”, tisnados com orgulho pelos mais variados sangues, do indígena ao europeu, do negro ao asiático.

Exagero da minha parte? Ou a cantilena dos “dois Brasis” não foi o mote do discurso que Lula fez recentemente em Pernambuco? Para afagar Severino Cavalcanti, chamou-o de vítima do preconceito das elites de São Paulo e do Paraná, que teriam urdido uma trama para seu afastamento da vida pública. Teoria conspiratória risível, se dita por uma pessoa comum. Inaceitável, porém, vindo do presidente da República. Será a prévia do que virá pela frente na campanha eleitoral de 2010?

Que perda de oportunidade histórica! Por que não pensar em Mandela, que saiu de 28 anos de cadeia e falou da necessidade de reconciliação entre negros e brancos na terra do apartheid? Sem negar e repudiar, é claro, a injustiça do racismo. E não se diga que os antecedentes de grandeza só vêm do exterior. Basta lembrar de José Bonifácio, que desde o início do século 19 mostrava que o Brasil, como nação, teria de fundamentar-se na diversidade das raças e no reconhecimento de que os valores da democracia e do Iluminismo não se poderiam circunscrever, como pensava Jefferson, a uma elite restrita, formada por brancos e ricos. Ao contrário, afirmava o Patriarca, se déssemos educação aos negros e aos indígenas, portadores de Razão como todo ser humano, eles se tornariam cidadãos.

Por que, ao invés de passar a mão na cabeça de quanto aloprado exista ao seu lado, de ver amigos em quem se deixa corromper e inimigos em quem honestamente dele diverge, nosso presidente, com todas as credenciais que tem de homem que nasceu no meio do povo mais pobre e venceu, não une os brasileiros em torno do ideal fundador de toda grande República?

Por que, ao invés de congregar e definir valores comuns, se perde em picuinhas e se entusiasma tanto em inaugurar pedras fundamentais de obras que não se constroem? Raramente o País teve conjuntura econômica e mesmo social tão favorável para dar um salto grandioso na construção de uma Nação decente. Não obstante, a oportunidade se está perdendo pela falta de visão de quem lidera.

 

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República

 

1 EM CADA 4 BRASILEIROS APÓIA TORTURA

Postado em Crítica com categorias, , , , , , , às Março 19, 2008 por aspinola

26% dos entrevistados, em pesquisa realizada pelo Ibope, disseram que apóiam tortura em suspeitos de terem realizado algum crime. Esta foi a constatação da pesquisa, veiculada pelo jornal O Globo, de domingo passado (clique aqui para ler a matéria). Abaixo segue o editorial do mesmo jornal, publicado no dia 14 de março.É,  digamos, um senhor editorial.

“Há algo enviesado numa sociedade em que, de cada quatro cidadãos, um admite que, se fosse policial, torturaria suspeitos para arrancar-lhes confissões. É, portanto, com extrema preocupação que se deve analisar os resultados de uma pesquisa da agência Nova S/B com o Ibope, publicada na edição do GLOBO de domingo passado, da qual saltaram essa e outras distorções na maneira como os brasileiros estão se relacionando com o próximo.

As respostas evidenciam que a alma cordata do brasileiro estaria sucumbindo à cultura da violência como pressuposto da defesa. Esse viés da pesquisa há de ser analisado nos foros sociológicos competentes. De imediato, o que cumpre é identificar as razões que levam os cidadãos a preferir a barbárie à civilização.

Há constatações óbvias, como a impunidade que estimula a tortura, a falência do aparato de Estado como salvaguarda dos direitos do cidadão e o recurso à violência como solução para problemas como a criminalidade. Existe, ainda, o componente cultural, quase generalizado, da desconfiança do cidadão em relação a seu semelhante, terreno fértil onde viceja o egoístico dogma segundo o qual a virtude está em casa e o vício no vizinho.

Por coincidência, mas nem por isso desprezível como dado a ser colocado na mesa de análises que tal pesquisa haverá de estimular, a mesma edição do jornal informava que a Polícia Militar do Rio mata quatro vezes mais que a paulista. Segundo as estatísticas de mortes em confronto com policiais, a PM fluminense matou ano passado 1.245 pessoas, 327,8% a mais que a paulista, com uma média de nove óbitos a cada dois dias.

O levantamento é tanto mais significativo quando se observa que o efetivo da corporação fluminense corresponde à metade da tropa paulista, responsável também pelo policiamento de um território bem maior que o do Estado do Rio. Trata-se da lógica da violência como panacéia para os males da criminalidade pelo viés do Estado.

Esses dois extremos da irracionalidade - a banalização da tortura e a execução, sejam as vítimas criminosos ou não - chocam-se com os princípios de uma sociedade na qual a paz e o bem comum não podem estar sedimentados sobre atos que negam a civilidade.”

 (O GLOBO - dia 14/03/200 8)  

C’e calcio! C’e San Siro’! C’e Milan!

Postado em Uncategorized às Fevereiro 29, 2008 por aspinola
Milan 2×1 Palermo
 
O jogo foi mediano, mas a experiência, única!
 
Abraços,
André 

 

Svenska Lektion

Postado em Curiosidades com categorias, , às Fevereiro 17, 2008 por aspinola

Quase todas as pessoas com quem eu falo, me perguntam como é a vida aqui fora, como lido com o frio, como são as pessoas e como me viro com o idioma. A verdade é que todos aqui falam inglês razoavelmente bem. Da caixa do supermercado, ao motorista do ônibus que pego para ir às escola, todos se viram muito bem com a língua saxônica.Porém, considero fundamental aprender a falar, ler e escrever sueco. Se alguma aprendi com meus pais é que conhecimento é a única coisa que, após adquirirmos, nunca mais perdemos. O resto, todo, pode escorrer pelo ralo. O que aprendemos não. E não há oportunidade melhor de aprender sueco do que viver na Suécia, sendo adotado por uma família sueca, certo?Para ajudar nesta “ingrata” função (sueco não é uma língua das mais fáceis e prometo abordar o tema em um outro post) a Stockholm University oferece cursos de sueco para iniciantes, desde que o aluno esteja freqüentando qualquer outro curso na universidade. Eu, claro, faço parte deste grupo privilegiado e sou aluno do curso “Svenska som främmade språk”, ou “Sueco como língua extrangeira”. Este vídeo foi gravado durante uma das aulas do curso inicial, quando as salas estão apinhadas de alunos. Nos níveis seguintes, as classes são reduzidas para, em média, 15 ou 20 alunos.Nesta aula, o professor apresenta uma música sueca famosa e, no intento de prender a atenção dos cerca de 150 alunos, ele embala a canção, tocando um violãozim mea-boca… Mas é até afinado! Espero que gostem!  Abraços,André