Condenado pela vida toda?
Olá! Tá dando a maior repercussão na imprensa sueca a notícia divulgada na primeira página do diário matutino Dagens Nyheter (Notícias do Dia, em tradução livre) sobre a admissão de um condenado por homicídio no curso de medicina no mais prestigado centro de medicina da Suécia e um dos mais famosos do mundo, o Instituto Karolinska.
O rapaz, de aproximadamente 30 anos, fora condenado a onze anos de prisão, por homicídio, denominado aqui como crime de ódio. Ou seja, crime motivado por preconceito racial contra algum grupo social específico.
Cumpriu parte da pena, se candidatou e passou na primeira estapa do concorridissímo processo de seleção do instituto. Foi aprovado também na segunda etapa, que se trata de várias entrevistas com psicólogos e psiquiatras que avaliam maturidade, capacidade para lidar com stress, nível de empatia com prováveis pacientes, etc.
A notícia repercutiu na opinião pública sueca por dois motivos:
1- Como um homicida consegue cumprir todos os pré-requisitos de admissão num dos maiores centros de medicina do mundo, passar por uma entrevista de 45 min com profissionais e ninguém descobrir o antecedente desta pessoa? Segundo o jornal, a identidade deste rapaz, que não pode ter o nome nem foto publicados, só foi descoberta devido a uma “denúncia anônima. Segundo alguns setores da sociedade sueca, um indivíduo com tal antecedente não poderia nunca se tornar um médico.
2 – Outra parte da sociedade luta para que ex-condenados possam se reintegrar mais facilmente ao meio social de onde vivem. Segundo este grupo, cidadãos que cometeram crimes, condenados e cumpriram suas penas não devem “pagar” novamente, já que, de uma forma ou de outra, terão de carregar o estigma pelo resto da vida..
Particularmente, eu concordo que certo tipo de atividades não podem ser exercitados por condenados. Por exemplo, não há como querer justificar o diploma de ginecologista a um estuprador ou pedófilo. Mas há de se pensar em alguma forma de facilitar a readaptação de um ex-presidiário à sociedade.
Com certeza, trata-se de um assunto delicado que merece uma atenção especial, não apenas das autoridades, como também de grupos de direitos humanos.
Um abraço,
Andre
Novembro 13, 2007 às 9:32 pm
Este assunto é, no mínimo, instigante. Um dos maiores desafios colocados para a sociedade é a (re)socialização dos ex-presos. Ela mexe com os mais profundos dos nossos sentimentos: medos,preconceitos, hipocrisia. O curioso é ver que este assunto instiga também os suecos e desperta neles estes mesmos sentimentos.Este blog está ficando bom, heim menino?!! Beijão pro cês.
Novembro 13, 2007 às 10:17 pm
Caro Intrépido Cosmopolita,
De fato, este é um assunto que necessidade de uma arguta reflexão. Primeiro, há de se entender os motivos que levaram o tal “homicida” a cometer os delitos que a ele são imputados. Segundo, por que todos têm direito à uma outra chance. Isso, claro, se ficar comprovado que o contraventor em questão executou seus “irmãos” por motivos de força maior, isto é, um desequilibrio químico circunstancial em sua composição biológica, legítima defesa ou algo semelhante, como defender um parente ou alguém ligado umbilicalmente à sua existência. Claro que não dá para conceder um diploma ao “Maníaco do Parque” ou ao “Fernandinho Beira- Mar”, que, diga-se de passagem, também possui um QI alto e certamente seria um grande acadêmico, não fossem as atrocidades cometidas por ele e que lhe transformam em um desequilibrado. Mas há de se avaliar, com cautela, caso a caso, pois relatos (não saberia especificar, já que fazem parte da literatura científica, algumas das quais já “passei o olho”) dão conta que os homens podem sim padecer de descompensações momentâneas
De modo que, fica a dúvida: será que há de se jogar todos os convalescentes mentais em uma mesma vala ou deve-se avaliar, pontualmente, a capacidade de recuperação e reinserção social. Talvez, a ausência dessa perspectiva é que superlote nossos presídios e faça com que a criminalidade e, consequentemente, a reincidência dos libertos fique sempre em patamares tão assustadores.
Giu