Política externa dá dor de cabeça a Primeiro Ministro Britânico e a Líder da Oposição

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Esta matéria foi publicada hoje (13/11) no website do diário Inglês “The Independent”. A tradução é minha. Para ler a matéria em inglês, clique aqui.

Gordon Brown e David Cameron parecem ter problemas quando o assunto é política externa. Após o minicioso discurso de segunda-feira à noite, durante o jantar na casa do prefeito de Londres, onde a maior preocupação de Brown era o de manter uma política de diferenciamento entre o seu governo e o de seu sucessor, Tony Blair, todos se perguntavam o que significava, na prática, o termo ”forte internacionalismo”?  E, mais importante, esta nova política internacional teria evitado a Guerra no Iraque? Bem, de acordo com David Miliband, o Ministro das Relações Exteriores, não. Hoje, durante um programa de rádio, quando indagado se a decisão de invadir o Iraque teria sido tomada da mesma forma, sob a nova doutrina orquestrada por Brown, Miliband retrucou: “Em relação ao Iraque, o decisão teria sido a mesma.” Ele, no entanto, admitiu que após a invasão algumas decisões foram equivocadas e poderiam ter um outro resultado. “Mas ninguem (do governo) discute a decisão inicial”, completou.

Esta é uma afirmação que deve disapontar muitas pessoas que se opõem à guerra. É, também, um lembrete de que a retórica nem sempre vem acompanhada por atos condizentes. Eu suspeito que Brown agiria de outra maneira caso o Irã se apresente como um novo “Iraque”. No entanto, seus assessores mais próximos insistem em negar tal distaciamento, com medo de perguntas que remetessem à posição de Brown, à época secretário da economia, de não se opor à guerra ou, até mesmo, de não ter renunciado ao cargo, assim como Robin Cook, que sempre discordou de Tony Blair em relação ao caso.

David Cameron, líder da oposição, também teve problemas com afirmações de seu assessor para política externa. Cameron, que pretendia atrair atenção para ser discurso que anunciava uma possível política mais agressiva de repressão a crimes sexuais, foi ofuscado pelos comentários de William Hague, segunda-feira à noite, no Parlamento Inglês. Hague, assessor para política externa de David Cameron, surgeriu que um possível governo liderado pela atual oposição iria convocar um referendo sobre o Tratado da União Européia, ainda que o mesmo ja tenha sido ratificado. Ainda que Cameron tenha negado qualquer mudança na política externa, o estrago ja fora feito. Um referendo pode significar a saída do Reino Unido da União Européia, pois daria aos chamados “Eurocéticos” ótima oportunidade para ser iniciada uma discussão que seria o primeiro passo para a retirada. Ou seja, Cameron não seria tratado com seriedade por outros líderes internacionais se tentasse subverter um tratado o qual já tenha sido ratificado pelo Reino Unido. Este episódio relembra o quanto a questão européia é delicada para os Consvervadores.

Ainda que tenha tocado muito superficialmente no assunto “Europa” durante seu discurso, Brown, seguramente irá usar os comentários de Hague para deixar ainda mais claro  diferenças ideológicas entre os dois principais partidos do Reino Unido. Nesta linha, Brown poderá relacionar a imagem dos Conservadores como isolacionistas enquanto adota a bandeira do multiculturalismo.

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