Segurança de quem, cara pálida?
Salve, salve!
Acho que a grande maioria dos que este blog visitam, já se enfadaram em aeroportos por aí, seja pelo apagão aéreo, seja pela neurose de segurança que Europa e EUA se encontram atualmente.
Pois bem. Dia destes, uma pessoa amiga, viu-se obrigada a ir, a trabalho, aos Estados Unidos. Sendo européia e bem estabelecida, pensei que ela não encontraria problemas frente ao o irritante procedimento de identificação aplicado pelos chatíssimos oficiais de imigração.
Tolo engano…
Nem mesmo o passaporte europeu (ainda que achar que tal classificação possa abrandar alguma coisa seja uma tolice) ou motivo da viagem foram suficientes para amenizar o ímpeto do burocrata, que fez mais de um milhão de perguntas e disse-lhe secamente que olhasse diretamente para a câmera, sem sorrir, para tirar a foto de identificação (exatamente igual àquelas fotos de presos). Depois, pediu-lhe que estendesse o dedo indicador da ambas as mãos e tirou-lhe as impressões. Segundo disse o funcionário, isto tudo era de praxe, seguindo a nova legislação e visava somente a proteção dos cidadãos americanos contra os inimigos do “american way of life”.
Bem, passada a má impressão de chegar a um país e ser tratado como um possível (ou pelo menos suspeito) terrorista, esta amiga se dirigiu ao saguão do aeroporto, juntamente com seus pais, que lhe acompanhavam e passaram pelo mesmo procedimento, para pegar as bagagens e seguirem ao hotel.
Teriam uma semana agitada em Dallas, Texas, com muitos compromissos e reuniões. Bem, apanhada a sua bagagem, a de seu pai, faltou a de sua mãe. E sobrou uma outra mala, idêntica. Extraviou-se, pensaram.Ledo engano.
Encaminharam-se ao balcão de “bagagens perdidas”, onde foram informadas que uma outra passageira teria, acidentalmente, levado a tal valise. Foram também informados que nem o aeroporto nem a companhia aérea poderiam ser responsabilizados, já que o volume fora entregue de acordo e em perfeito estado a seu destino final, não importando que não tenha chegado a seu verdadeiro dono. Faltou perguntar-lhes a razão pela qual não vigiaram todos os passageiros e conferiram, eles mesmos, os comprovantes de bagagem, não é mesmo?
Teriam de esperar, portanto, a tal passageira dar-se conta do erro e contactar-lhes. Em caso contrário, não me venham com prantos, afirmou o “prestativo”. Pois bem, passados alguns dias a distraída, como dizemos os sertanejos, “abanou” o rabo, e a troca foi desfeita.
Os compromissos agendados foram cumpridos à risca e chegou o dia de embarcar para casa.
Outra peleja para arrumar as malas seguindo tantas medidas de, dizem, segurança. Ao chegar ao aeroporto, mais uma luta para passar por tantos “checks”, responder a milhões de perguntas sobre quem arrumou a mala, se alguém lhe pediu para trazer alguma coisa, leva alguma tesoura ou material cortante na bagagem de mão, fósforo, creme de barbear, óleo, etc etc etc. Respondido o interrogatório, embarcaram.
Pensaram que tinha acabado o drama.
Parvo engano.
Ao chegar em casa e abrir a mala, esta amiga encontra um bilhete, uma nota da autoridade aeroportuária americana ( a infraero deles) dizendo que aquela bagagem havia sido selecionada para uma revista física. Se a mala estivesse trancada, os oficiais poderiam se ver obrigados a quebrar a tranca para dar prosseguimento à inspeção e, os mesmos (nem ninguém, diga-se) seriam responsáveis por dano ou perda da provisão. Ah, dizia ainda o tal bilhete que tal procedimento visava a segurança dos passageiros e de toda a indústria de aviação americana, que fazia um esforço tremendo, tudo pela caução de seus usuários.
Eles, claro, lamentavam profundamente qualquer inconveniente causado por tais ações mas, devido a atual conjuntura, o governo americano via-se obrigado a implantar tais medidas. Por sorte não faltava nada dentro da valise e conseguiram, sabe-se lá como, abrir a mala sem quebrar a tranca.
Não obstante, porém, pergunto-me: qual preço os defensores da democracia mundial, aqueles que se julgam os guardiões da justiça, pretendem cobrar de decentes cidadãos que, seja por trabalho ou turismo (não consigo entender tal opção, tanto lugar para se visitar no mundo), viajam por ali em nome da “segurança”. Que tipo de segurança é esta, que lhe retira os direitos mais básicos?A obsessão pela segurança se sobrepõe às liberdades individuais do cidadão?
Por fim, desde quando o mundo, ou mesmo os EUA, tornaram-se mais seguros após a adoção de tais medidas de segurança?
Segurança de quem, cara pálida?
Um abraço insubmisso,
André
ps. embarco para p Brasil em pouco mais de uma semana… Ao chegar às Alterosas, conto como foi a saga…
Abraços,
AS
Dezembro 5, 2007 às 7:09 pm
Puxa vida. Que saga. É ridículo, fico indignada. É assustador e vexamoso. O pior é ver o argumento anti-terror ser utilizado para suprimir direitos fundamentais e justificar atos preconceituosos. Eu concordo com você, André. Com tanto lugar no mundo… turismo nos Sates é dose. Tô fora. Tomara que você não enfrente dificuldades na sua vinda. Ontem, o ministro da Defesa anunciou novas penalidades às companhias aéreas que atrasarem vôos. Quem sabe não surte algum efeito? No mais, gerais. E saudade, claro. Laura manda um cheiro.
Dezembro 6, 2007 às 9:57 pm
Meu deus, essa gente é doente. Trocaram sua sanidade mental por petróleo!!!
Que esquizofrenia!!! O problema é que o resto do mundo paga pela segurança deles. Seja com abusos corriqueiros, como esse a que te referiste, seja com a própria vida!!!
Bando de psicóticos!!
Nem Freud explicaria….