Irlanda diz não à UE.
“Incrível!” “Absolutamente inacreditável!” “Líderes europeus buscam novo caminho.” “Referendo Irlandês joga areia nas engrenagens européias”
Este são algumas manchetes que os jornais europeus estampam hoje, sábado, refletindo sobre a contundente derrota imposta à União Européia (UE) pelos cidadãos irlandeses. O “Não”, referente à aprovação do chamado “Tratado de Lisboa”, ganhou por 53.4% a 46.6% e agora a UE reflete as consequências da decisão irlandesa.
O imbróglio todo é que, para ser ratificado, o “Tratato de Lisboa” deve ser aprovado por todos os 27 países membros. A Irlanda é o único país que colocou o acordo a voto popular, já que para adoção do novo termo, a constituição do país deverá ser alterada.
O chamado “Tratado de Lisboa”, foi aprovado pelos líderes de todos os 27 países membros em substituição à “Constituição Européia”, que fora rejeitada pelo voto popular na França e Holanda, no ano passado. Agora, foi a vez da Irlanda reprovar a nova versão do acordo. Detalhe: desta feita, França e Holanda não irão submeter o “Acordo de Lisboa” a voto popular.
Mas o que é, de fato, o “Tratato de Lisboa”. Você pode clicar aqui para ir ao website (em português) que explica “tim-tim por tim-tim” do que se trata.
Em suma, o que mais me surpreende em relação ao referendo, não é o resultado em si, já esperado por muito especialistas. O que me impressiona é que o país que mais se beneficiou em ser membro, rejeita desta maneira um acordo que, a meu ver, iria dar mais força e sustentabilidade à União. A Irlanda, até 2004, recebia cerca de 1.5bilhão de Euros. O país, antes essencialmente agrário, se transformou em uma potência européia, crescendo o dobro de seus pares, na UE. Em 2006, o país cresceu 6%, em 2007, 5,4% e a previsão de 2008 é de 4,6%. O resto da UE não cresceu, para se ter uma idéia, mais do que 2.6%, no mesmo período. Hoje, a Irlanda é sede de grandes empresas, tanto européias como americanas, atraídas à ilha pelos incentivos fiscais e mão de obra barata.
O tratado se justifica pois é uma tentativa de reestruturar a UE, após o ingresso de 12 países do leste europeu. Afinal, o tratado em vigor foi produzido em um conjuntura internacional bem diferente da atual. À época, com 12 membros, a UE parecia-se mais com um sonho de líderes regionalistas. Hoje, a chamada “Zona do Euro” têm um PIB de 12,172,536 milhões de euros. O acordo iria dar mais autonomia ao parlamento europeu, dando em contra-partida mais voz aos parlamentos dos países membros, fortalecendo o posto de “Ministro de Relações Exteriores”.
Agora, resta aos líderes europeus encontrarem uma saída que dê sobrevida ao tratado. Já se discute se o acordo deve ser levado a votação, de novo, na Irlanda. Ainda não se sabe as consequências do resultado irlandês, mas já é certo que vem confusão e dor de cabeça por aí.
Um abraço.
André
